Credencial Tosca
Blog para discussão de palcos e backstages do cenário musical e do jornalismo brasileiro especializado no assunto. Não sou um “inimigo” tão implacável, mas nem sempre tem dó na despensa da minha casa.
Monday, June 23, 2008
Thursday, June 19, 2008
Tuesday, June 17, 2008
Pela Nossa Senhora de Aretha Franklin
Agradeço por todos os discos de 78 rotações que já vieram dentro desse ser, pela voz absurdamente encorpada e pela escolha de uma banda fodástica. Que conseguiu transformar até mesmo um disco irregular, o “Introducing Joss Stone”, em uma festa de soul e R&B. Canções do novo álbum como “Girl You Won´t Believe It” e “Tell Me What We´re Gonna Do Now” ganharam roupagem totalmente setentista e deram cama para que o naipe de metais jogasse logo na quarta canção “Supper Dupper Love”. Se tornar-se pop é começar um show assim, Deus, que ela seja pop para o resto da vida. De cabelos pintados mesmo.
Joss cresceu, no sentido mais belo que isso pode ter. Aprendeu a dominar o palco, a seduzir a platéia, e ao mesmo tempo não perdeu aquele ar inocente com direito às famosas crises de riso. Aceitou oferendas como pulseiras, rosa branca, correntinhas, e em troca das ofertas concedeu um show que fez crescer alma até nos pilares do local – os mesmos que segregavam o público.
O bumbo ganhou ares abafados, o baixo aquietou-se, e a explosão de soul dos primeiros tempos deu lugar a alguns teclados (algumas vezes inoportunos, diga-se) e muito rhythm ‘n’ blues. E, acredite: quando aquela Iemanjá negra em forma de garota canta baixinho “Jet Lag”, apenas acompanhada de uma bateria mínima no melhor estilo R&B anos 50, pés descalços e olhos fechados, você vai ser obrigado a pedi-la em casamento. E dar o braço a torcer: Joss Stone faz música, e música boa. Nunca duvide disso.
Da fase soul o público ganhou hits como “Fell in Love With a Boy”, “Choking Kind”, “You Had Me” e, ao mesmo tempo, pôde se deliciar com as igualmente sincopadas “Put Your Hands on Me Baby” e “Baby Baby Baby”, do novo trabalho. A boa menina xinga “Damn it” por não falar português além dos básicos “oi” e “obrigado” mas, mesmo assim, fez questão de deixar sua liturgia poderosa.
“Acho que o que nos une aqui é a paixão pela música. Eu amo tanto a música, mais do que eu poderia amar uma pessoa. Ela nunca vai ter machucar, e ela sempre vai te amar, enquanto você amar a música também”. Amém. E dá-lhe “Music”, que no novo álbum tem a parceria de Lauryn Hill, mas que no show só sobram mesmo alguns trejeitos rappers nas mãos de Joss. A melodia cresce e o trio de backings da diva respaldam seu vozeirão. Como se não bastasse tudo isso, ao voltar para o bis, “Right to be Wrong”, emenda “No Woman no Cry”, uma de suas canções favoritas, e joga flores vermelhas para a platéia, como uma Afrodite em sua fase mais serena.
Pela Nossa Senhora de Aretha Franklin, Joss Stone. Puta que pariu!!!!
Saturday, June 14, 2008
Jabá classudo
Tuesday, June 10, 2008
A banda mais legal do planeta (ou não)

Se você também acha os coros do Arcade Fire o auge do legal que um coral de igreja pode atingir, precisa ouvir “The Greatest Man that Ever Lived”, dos nerds do Weezer. A canção está no novo álbum, intitulado singelamente por todo mundo de The Red Album, que eu surrupiei do glorioso blog Depredando o Orelhão.
É engraçado porque o Weezer é uma das bandas mais fáceis do mundo de se gostar. Acho que só não curte quem nunca se deu o trabalho de ouvir nada nem nunca sorriu para o clipe de “Keep Fishin”, aquele dos Muppet Babies. Ou pra quem não gosta do que é fácil, enfim, embora eu ache que fazer música fácil é a coisa mais difícil do planeta. Quer tentar outras e se divertir? Do mesmo novo álbum, “Everybody Get Dangerous” e o single “Pork and Beans”.

Fãs de System of a Down, uni-vos (ou não). Enquanto a banda dá aquele break básico (ou não), o guitarrista Daron Malakian e o batera John Dolmayan saem em turnê com o projeto Scars on Broadway. O primeiro álbum deles chega às lojas no fim de julho e a música “They Say” já está no www.myspace.com/scarsonbroadway. Mas não esperem por vocalizes orientais e fúria virtuosa. O som é mais rockão mesmo.
Friday, June 06, 2008
Parece notícia velha
*O Pearl Jam (foto) decidiu postar no MySpace a linda versão de “Love Reign Over Me”, do Who, que o grupo fez para o filme “Reign Over Me” (2007). Vale checar: www.myspace.com/tenclub
Thursday, June 05, 2008
Jabazets com homenagem
Vocês sabem, caros leitores, que eu só falo de coisas pessoais aqui quando o assunto é jabá. Pois bem, dessa vez não vai ser diferente, mas o jabazets vem acompanhado de uma singela homenagem.
Ao invés de só avisar vocês que no próximo dia 21, um sabadão, fim de tarde, a gloriosa banda Milhouse vai se apresentar no Outs, na Augusta, eu queria deixar um obrigado a essa banda querida pelo mais de um ano de punk brega nerd feito com amôôr.
O tempo passa rápido mesmo, e a gente só se toca quando revê e-mails procurando o número do telefone de um estúdio obscuro. E a Milhouse trouxe uma porção de coisas bacanas pra mim, muitas risadas, bebedeiras, gritos de nossos groupies ensandecidos (a quem eu também agradeço) e muitos amigos. Tantos amigos que deu até pra formar outra banda, hehehe, mas aí é papo pra outro post bacana.
Voltando ao jabá: então, povo, a gente precisa muito mesmo da presença de todo mundo. Será nosso teste de fogo na casa e eu garanto que vocês não vão se arrepender de ir lá, cantar nossas músicas, beber uma breja e mostrar pro povo que a gente não brinca em serviço.
E não brinca mesmo: uma das surpresas é uma nova composição, uma guarânia risca-faca rock and roll. Entre outros adereços... O ingresso custa 7 real e pode ser adquirido com qualquer um do quarteto do Baixo-Lôca.
Pra aquecer, deixo o vídeo de “I Will Survive”. Vambora, galera!!!!!
Monday, June 02, 2008
O céu cinza, a nota azul e o vestido vermelho
Sofreu porque, apesar do porte de show de estádio, a apresentação de Mr Hancock exigia - no sentido de ser necessário, porque ele é um doce de simpático – ouvidos, atenção e mais recolhimento do que o brasileiro freqüentador-de-show-grátis é capaz de dar, até mesmo no meio de uma chuva mala. Atenção pra curtir uma versão tripartida de “Watermelon man”; recolhimento para deixar passar as esquisitices de efeitos de teclado de Herbie usando vozes; ouvido para sentir o pianista desafiar os músicos à sua volta em duelos onde cada nota vale por dez. O ânimo da platéia veio mesmo só em “Cantaloupe Island”, único momento em que Hancock sentou-se ao piano. Nem mesmo uma belíssima versão de “When Love Comes to Town” descongelou a galera.
Macy Gray, obviamente, foi mais feliz nesse quesito. Com duas backing vocals potentes em termos de voz e carisma, trajando um belo vestido vermelho e coturnos, Macy não só comandou uma festa na garoa como incitava a mulherada mexer o... “Como é que vocês dizem isso?” – “Bunda”, o povo respondia. “Exactly”, pontuava a diva.Além de entregar belos hits como “Sexual Revolution”, “Sweet Baby” e “I Try”, Mrs. Gray trouxe covers para o delírio do público gelado, como “Creep”, do Radiohead, “Groove is in the Heart”, do Dee Lite (sim!) e até um medley que incluía “No Woman No Cry”.
Aí, dona Gray, é sacanagem com a tal da nota lá.






