
Frame do clipe "Bicho Estranho", da Homem do Brasil
O pop não precisa de reinvenção ou salvação. Ele precisa que novas bandas respirem e transpirem para levar um pequeno grão de sentido à vida das pessoas que se entopem em ônibus, metrôs e automóveis, em busca de combustível para sua família e sua alma. Não pedimos muito às bandas, apenas que destilem nossa miséria e alguma esperança no rádio. E é por isso que ontem presenciei uma cena única e, ao mesmo tempo, tão banal: a banda fazendo o povo dançar na praça, na avenida.
A praça era a Alameda das Flores, reduto de ongs da avenida Paulista. A banda, grave bem, chamava-se Homem do Brasil. Não diga que eu não avisei.
Com um propósito mais que sublime, a Homem do Brasil quer ver as pessoas felizes. Musicalmente, o grupo tem mais que competência pra isso. Filosoficamente, então nem se fala: uma pequena passada pelo site ou pelo blog dos caras é o suficiente para que Lair Ribeiro & Cia. fiquem no chinelo.
Presença de palco é o que não falta, e a HDB (não confundam com RBD) sabe como conduzir a festa. E faz aquela mistura que funciona bem o suficiente pra refrescar o pop rock como poucas bandas no cenário atual, sem precisar apelar para música atonal ou qualquer tipo de estranhamento aos ouvidos humanos ocidentais. Exemplos: Um interessante cruzamento entre “Balada do Louco” e mantras indianos; uma versão blues garageira de “Índios”, do Legião, que começa baixinho e explode em rock and roll.
As músicas próprias (e eles estão indo para o quarto CD) são pérolas prontas, do tipo que contenta grandes rádios e faz a gente assobiar sem culpa. Daqui a algum tempo, pode escrever, você vai cantar “Sou super-humano, sou, sou, sou” na primeira vez que ouvir essa canção. Foi o que aconteceu ontem com crianças, moleques, senhorinhas, madames de salto alto e poodle e outros tipos que perambulavam pelo domingo pseudo-ensolarado dessa metrópole que, naquele momento, não era mais triste.
“Eles são famosos?”, perguntava uma menina atrás de mim. Ainda não, querida. A Homem do Brasil está com CD no forno produzido pelo Rick Bonadio. E eu passei o show inteiro me perguntando porque é que ele ainda não soltou logo o álbum desses caras!
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