Thursday, November 30, 2006

Da série "Nós amamos a internet"



Impagável, impossível, indispensável: quer ver 25 artistas diferentes cantando Boehmian Rapsody, encarnados num cara muito divertido? Salve o You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=4txXHU5XLAI&mode=related&search=

Destaque para o Johnny Cash, o Metallica, o Mick Jagger e o Axl. A dica é do batera Neto, da banda bauruense Cavalo Morto. Aliás, não é porque a blogueira é baterista que aceitamos apenas dicas retumbantes, viu? Cadê meus leitores tocadores de baixo, guitarra, voz, cuíca e campainha?

Beatles for Sale parte 2 – A Missão: então tá. O álbum novo dos bítous ta nas lojas, comemorando o aniversário de cinco anos da morte de George Harrison (que triste), e alguns trechos foram parar nesse blog aí. Não sei a confiabilidade do link que amina postou, se alguém se arriscar me conta depois como foi a viagem:http://lostmelodies.wordpress.com/

Wednesday, November 29, 2006

MPBoas Novas


Hoje eu decidi reunir uma batelada de sugestões e novidades cavucadas do nosso Brasil. Um convite pra descobrir um pouco mais do que há nos entraves e desaterros de nossa terra. Respira fundo e vai:

Duas dicas da samba-jazz-batera Tat Stoco: a primeira é o site de podcasts Miscelânea Vanguardiosa (miscelaneavanguardiosa.podomatic.com) que eu venho ouvindo egoisticamente sem contar pra vocês. São programas muito bem produzidos com novidades e saudades da música instrumental brasileira. Vale passar por lá.
A segunda é o blog Bossa Brasileira (bossa-brasileira.blogspot.com), com vídeos perolizados de momentos sublimes de grandes compositores e intérpretes. Aulas e mais aulas de música, e ponto.

Dessa segunda dica eu descobri o Jornal Musical, do Instituto Memória Musical Brasileira, uma entidade recém-nascida que tem por objetivo preservar tudo isso aí de cima e mais um pouco. O projeto tem apoio da PUC-RJ e da Petrobrás (ah vá). Tem reportagens, resenhas e notícias. Entre as novidades divulgadas pelo site, a lista de indicados ao Prêmio Rival Petrobras de Música Brasileira, em sua quinta edição. O prêmio é dirigido à ala independente da produção musical brasileira. Entre grandes monstros consagrados, temos alguns conhecidos do cenário pop. Na categoria Grupo Musical, um dos concorrentes é o Mombojó. Na categoria de embaixador MPB, eu juro, gente, tá lá o Cansei de Ser Sexy.

Ah, o endereço, né? www.jornalmusical.com.br

Coincidentemente (?), ambos são artistas da Trama, que é nossa última sugestão/notícia de hoje. Para alegrar o Natal de alguns fãs (e engordar a grana da família), a gravadora vai lançar no próximo dia 11 um Box especial do César Camargo Mriano com dois CDs e dois DVDS. Uma leva de 500 unidades do Box terá formato de piano, feito à mão, para colecionadores. O conteúdo: um CD do Octeto César Camargo Mariano, originalmente gravado em 1966; o CD e DVD Cesar Camargo Mariano e Romero Lubambo, gravado no Espaço Fasano; e o DVD Piano e Voz - Cesar Camargo Mariano e Pedro Mariano, de 2003. Jingou Béu.

Tuesday, November 28, 2006

Sem se levar super a sério


Valdomiro, um pseudônimo interessante para um galo de rock

OK, personas, a internet é mesmo uma maravilha. Afinal, você descobre outras formas de enxergar a mesma coisa que não seja o Côntrou Cê e Contrôu Vê (não é que daria um bom nome de álbum pro nosso amigo Caetano?). Mas ao contrário do que foi citado, o ponto de convergência entre as mentes insanas do anticristo superstar, do mullet bem-feito dos Stones e do guita do FF não é o alcoolismo, hehehe, e sim, o gosto pela Arte. Nick McCarthy é o curador de uma exposição que começa no próximo sábado em Los Angeles, na Lightbox Gallery, com uma reunião de vários artistas.

Mas vamos voltar logo à terra Tupiniquim que tem uma banda que eu tou pra indicar já faz um tempo. Diversão, porrada e alegria, muita alegria, é o lema da Supergalo: Fred e Marco (Raimundos) e Alf (Rumbora). Um verdadeiro resgate aos tempos áureos da banda nordestina, quando os meninos sonhavam em ser o ingênuo selim de uma bicicleta. As letras da Supergalo não são tão explícitas, mas são bem divertidas. Em “O Clone”, os caras realizam o sonho de qualquer pessoa: criar um clone que se ferrasse no dia-a-dia pra gente poder curtir a vida numa boa. A música segue a levada punk dançante própria para apaziguar hormônio de qualquer adolescente. É irreverência sem esporrar na manivela (desculpem o troca-troca, ops, trocadilho).

Tenha seus cinco minutos de libertação:

Monday, November 27, 2006

Coisas que li e gostei nesse mês


Em ordem de gostosura:

1. A matéria na Rolling Stone Brasil número 2 sobre Tom Zé, escrita por Xico Sá. Com sabor de Jack Kerouac, Fernando Sabino e purê de aipim. Groovy, babe. E olha que eu nem sou tão fã assim do Zé.

2. O dossiê da revista MTV sobre as drogas de hoje, uma farmacinha ambulante sem sentido nem cor. Vamos lá, pessoas, vocês não acharam seus narizes no lixo. Pelamordedeus! Ponto pra publicação.

3. O entrevistão da Bizz com Philippe Seabra. Plebe Rude é Plebe Rude, então tá ótemo. Dá pra se divertir com o cara contando como o Dinho queria porque queria fazer parte da turma de Brasília. E dá pra imaginar a cena.

Pergunta:
O que Marilyn Mason, Ron Wood e Nick McCarthy, guitarrista do Franz Ferdinand, têm em comum?
Quem souber a resposta entra na lista de ganhadores de bolinhos de chocolate imaginários desse blog...

Friday, November 24, 2006

Sobre homens e suas paixões


Costumo brincar que, como baterista, sou ótima jornalista. Mas ontem eu descobri o contrário: bateristas podem, sim, ser ótimos jornalistas. E, a julgar pelo naipe de quem tentou essa proeza, o resultado não poderia ser realmente diferente.

João Barone ganhou respeito do público comandando as baquetas do Paralamas do Sucesso. Não só por fazer o povo dançar mas também pelo uso da sua técnica, arrancando admiração até mesmo de Iggor Cavalera, que cedeu seu ex-trono no Sepultura para o cara em uma faixa do álbum “Roorback”. Mas Barone tem uma outra paixão tão grande e destrambelhada quanto a bateria: carros militares antigos. E só mesmo a grana de uma longa carreira razoavelmente bem administrada poderia lhe dar o capricho de adquirir um, da Segunda Guerra.

Levado pela paixão amante, o baterista decidiu participar das comemorações dos 60 anos do Dia D, em 2004, na Normandia. De cara, já havia decidido levar sua câmera e algumas idéias para um vídeo. A coisa toda, no entanto, foi além, e resultou no DVD “Um Brasileiro no Dia D”, documentário que reconstrói para o telespectador atual os cenários e as histórias daquela que deveria ter sido nossa última guerra.
Barone co-dirige o vídeo e é responsável pelo roteiro, além de pilotar o jipe – sim, o seu, levado para a Europa numa proeza que precisou de patrocínio – e se encarregar da parte emocional da motivação de toda a equipe. Para enriquecer o documentário, resgatou personagens espalhados pela Europa.

Duas coisas me surpreenderam logo de cara, na sessão de autógrafos do lançamento do DVD ontem, na Fnac: a primeira foi a capacidade do rapaz de transformar uma paixão, pode-se dizer até mesmo um capricho, em informação útil para uma considerável parcela da população brasileira. A segunda e não menos importante foi a preocupação com essa informação. E isso, meu amigo, desculpa aí, mas é coisa de jornalista. É claro que ele não fez tudo sozinho - o DVD sai nas bancas pela revista Grandes Guerras. Mas deixou fazer, e isso é igualmente fundamental.

O baterista apressa-se em contextualizar todo esse movimento de homenagem a caças, paraquedistas e sobreviventes do genocídio mundial. Ex-combatentes americanos dão seus depoimentos e alertas para a juventude de hoje, que precisa barrar o avanço das guerras. Veteranos alemães explicam de uma maneira humilde e até culposa a sua posição – não eram só os brasileiros que eram forçados a lutar na guerra pelo seu governo. Em suas primeiras declarações ontem, Barone fez questão de ressaltar essa parte de todo o contexto do documentário. Por mais que se insistisse em perguntas logísticas (poxa, como foi levar um jipe do Rio de Janeiro para a Normandia?), Barone apegava-se a todo o aspecto humano que estava por trás dos carros militares que ama desde a infância.

“Paixão é paixão, né, gente, não se explica”, disse o baterista. A gente concorda. Mas o que se faz com essa paixão é que difere um homem do outro.

Thursday, November 23, 2006

Porque é quase sexta, que é igual a cinema e diversão...



Jude Law e... Norah Jones!

Enquanto você se diverte com David Bowie em “O Grande Truque”, atualmente em cartaz (ainda não vi, vai chegar resenha, mas, se quiser, deixe a sua aí também), nossa musa Norah Jones entra em estúdio, mas de cinema, pra fazer sua estréia nas telonas, nas mãos do cineasta chinês Wong Kar Wai. O china faz seu debut em uma filmagem em língua inglesa (Wai dirigiu “Eros” e “2046”) e Jones chega chegando já de protagonista. No filme, ela contracena com o Jude Law. Na boa, vai ser sortuda assim lá na casa do chapéu: a mina nasce com uma voz absurda, lança seu primeiro álbum já pela Blue Note, faz um sucesso danado, compõe 11 das 13 faixas do novo CD (“Not Too Late”, que chega em março de 2007) e ainda estréia em um longa-metragem ao lado de um fofo. Assim não dá, assim não dá.

E a banda Homem do Brasil manda avisar que vai fazer o povo dançar na avenida (Paulista) de novo, amanhã. Não, não é corrente da internet: ao meio-dia, perto do número 1.400 da avenida, vai ter uma banda bacana tocando pra deixar o seu dia bacana. Não precisa abraçar ninguém, nem se vestir de branco, preto ou amarelo, mas se der vontade, help yourself...

Wednesday, November 22, 2006

Wednesday Pills



Pill Ok, então parece que o The Who talvez não venha mais (só talvez). Mas o Ben Harper vem. Estão falando em Coldplay também, mas é melhor não arriscar. O conselho que eu deixo é separar sua grana para shows confirmados e, de preferência, de artistas mais velhinhos, que podem se aposentar, com aviso prévio (caso do B.B.King) ou não - segundo informa Lúcio Ribeiro, o rei do blog, essa foi a última turnê da turminha.

Pilll Eu sei que falo muito do New Musical Express, mas os caras sabem como movimentar o esqueleto dos leitores do condado mais musical do planeta: Londres. E são tão hype que lançaram uma edição especialmente para o público irlandês. Um dos assuntos especiais para da revista versão irish é uma matéria sobre a ... Sinnead O´Connor!

Enfim, a edição dessa semana traz a lista dos mais cool de 2006. Alguns a gente adivinha, outros a gente suspira. Sim, nosso Cansei de Ser Sexy está lá. E também está em quatro categorias diferentes do prêmio independente Plug. E também está entre os 20 melhores álbuns de música independente do ano da revista Uncut. Antes do Beck.

Pillll E falando em “faça você mesmo”, pára aí de reclamar que a sua banda tá sem grana pra fazer um vídeo. O site TramaVirtual está escolhendo três músicas para serem “videoclipadas” pelo instituto Criar de TV e Cinema, que capacita jovens de baixa renda para trabalharem com técnicas de audiovisual. A inscrição vai até o dia 30 de novembro. Vai lá:www.tramavirtual.com.br/concurso

Tuesday, November 21, 2006

Pink Floyd para madames


Agora que o “novo” álbum dos Beatles chega ao mercado e a gente pensou que a sessão revival-remix tinha passado, veja você que os elevadores, as salas de espera e os “lounges” genéricos da vida ganham de presente uma versão chill out de músicas do... Pink Floyd.

Sim! A mais nova novidade da indústria fonográfica é o álbum “Floyd: A Chillout Experience”, com versões “electro bossa novistas” de músicas como “Mother”, “Money”, “Time” e, é óbvio, “Wish You Were Here”. No release, consta que isso tudo rola com vocal feminino, mas algo me diz que não é muito parecido com os gogós abençoados que a gente ouve em “The Great Gig in The Sky”.

Então você escolhe: Nirvana em versão pra ninar bebês, Beatles refeitos, remasterizados e remexidos, ou Pink Floyd para madames.

Oh, God!!!!!!!

Monday, November 20, 2006

Gerações eternas

As nove vidas de Robert Plant

As bandas não se auto-proclamam eternas. As pessoas é que conferem esse elixir da juventude a elas. Algumas fazem por merecer, como é o caso das duas que eu vou citar hoje.Outras trabalham pra que a terceira idade nunca chegue – e a aposentadoria, menos ainda. Como, pasmem, também é o caso de alguns artistas aqui:

Robert Plant é o homem que, provavelmente, inspirou a frase “it´s all happening!”, repetida inúmeras vezes no filme “Quase Famosos” por um personagem fã número um do Led Zeppelin. Pois o homem saber fazer as coisas acontecerem. No último dia 14, Plant esteve no Alexandra Palace, em Londres, ao lado da família Bonham, para receber a nomeação do Zep ao Hall of Fame britânico. Tudo indo muito bem, o Wolfmother tocando um set dedicado ao Led, e Plant aproveita pra conceder uma entrevista à BBC dizendo que vai gravar mais coisas em 2007. “Tem um ótimo álbum aqui dentro e ele está pronto para sair”, explica o vocalista.
Ok. Mas olha só: no mesmo dia 14, o último, foi lançada também uma caixa com nove CDs contendo todo o material da carreira solo de Plant, como bônus tracks e DVD com entrevistas . O nome, “Nine Lives”, apesar de não ser original (até o Aerosmith usou) traduz bem o espírito de Plant: se o Zeppelin morreu, bem, ele não.

E o The Who, que voltou a camelar em turnês com álbum novo e tudo, sente-se mais jovem do que nunca. Em uma entrevista postada no diário de Pete Townshend nessa semana, ele assume que, por muitos anos, a banda deixou de tocar “My Generation” por se achar muito velha para aquela canção. “Era o próprio The Who entrando na interpretação incorreta da letra, que falava que era melhor morrer do envelhecer, mais no sentido de um estado de espírito do que da própria idade”, confessa o guitarrista. Keith Moon morreu, eles envelheceram e você pode dar a sorte de ouvir a canção em um show do The Who no Brasil, em 2007.

Thursday, November 16, 2006

A arte do insulto, da valsa e da carreira solo


A valsa bêbada do Franz Ferdinand (Foto: Divulgação/ Marius Hansen)

Por motivo de dodói (meu fígado resolveu sair de feriado), não rolou blog ontem. Por motivo de viagem, não vai rolar amanhã também. Ih, mas calma que a gente vai viver o dia de hoje como se fosse o único.

Primeiro, peço desculpas pela demora em apresentar o seguinte link, do já conhecido Jornal Bom Dia, do igualmente já conhecido brother Thiago Roque, que mostra como é que se faz uma autêntica matéria de capa rock and roll. Porque se você tem uma banda chamada Matanza como tema e um entrevistado como o Jimmy, não poderia ser diferente. Seria traição com os seus leitores:
www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=86&mat=50614


Agora sim:

¨¨ Vem música nova do Franz Ferdinand por aí. Ela sai na trilha sonora do filme “Hallan Foe”, que debuta em 2007, e chama-se “Hallan Foe Dandelion Blow”. A canção é descrita pelos próprios rapazes em seu site como uma “poética valsa bêbada”. Adivinha quando ela foi gravada? Durante a passagem do FF pela América Latina, por supuesto.

¨¨Carreira solo rulez: um dos camaradas do Outkast, Big Boi, vai gravar um álbum sozinho. Mas, segundo o NME, seu amiguinho André 3000 vai ajudar na produção.O semanário inglês anuncia que a tiazinha do Garbage, Shirley Manson, também decidiu que não quer viver do lucro da coletânea da sua banda. Vai gravar um CD solo, mas muito bem acompanhada pelas participações especiais de Jack White (The Raconteurs... ah! E do White Stripes também) e Billy Corgan (Smashing Pumpkins).

Tuesday, November 14, 2006

A nova guarda de Cuba e a quase-velha guarda do rock



Uno Já que a primeira geração do Buena Vista Social Club foi descoberta tarde demais e muitos de seus integrantes já estão formando uma nova orquestra no céus dos grandes músicos, o diretor Win Wenders decidiu continuar a saga e lança “The Sons of Cuba: Buena Vista Next Generation”. É a nova guarda da riquíssima música cubana!

Dos Black Crowes estará de álbum novo no ano que vem, garante o empresário do grupo, Pete Ângelus. Ele diz que Chris e Rick Robinson já estão gravando coisas novas em estúdio e o álbum deve sair “sometime in 2007”. Enquanto isso, os Crowes continuam tocando “somewhere” nos Estados Unidos, e a gente fica esperando, então, “some show” por aqui...

Monday, November 13, 2006

Pop Super-Humano


Frame do clipe "Bicho Estranho", da Homem do Brasil

O pop não precisa de reinvenção ou salvação. Ele precisa que novas bandas respirem e transpirem para levar um pequeno grão de sentido à vida das pessoas que se entopem em ônibus, metrôs e automóveis, em busca de combustível para sua família e sua alma. Não pedimos muito às bandas, apenas que destilem nossa miséria e alguma esperança no rádio. E é por isso que ontem presenciei uma cena única e, ao mesmo tempo, tão banal: a banda fazendo o povo dançar na praça, na avenida.

A praça era a Alameda das Flores, reduto de ongs da avenida Paulista. A banda, grave bem, chamava-se Homem do Brasil. Não diga que eu não avisei.

Com um propósito mais que sublime, a Homem do Brasil quer ver as pessoas felizes. Musicalmente, o grupo tem mais que competência pra isso. Filosoficamente, então nem se fala: uma pequena passada pelo site ou pelo blog dos caras é o suficiente para que Lair Ribeiro & Cia. fiquem no chinelo.

Presença de palco é o que não falta, e a HDB (não confundam com RBD) sabe como conduzir a festa. E faz aquela mistura que funciona bem o suficiente pra refrescar o pop rock como poucas bandas no cenário atual, sem precisar apelar para música atonal ou qualquer tipo de estranhamento aos ouvidos humanos ocidentais. Exemplos: Um interessante cruzamento entre “Balada do Louco” e mantras indianos; uma versão blues garageira de “Índios”, do Legião, que começa baixinho e explode em rock and roll.

As músicas próprias (e eles estão indo para o quarto CD) são pérolas prontas, do tipo que contenta grandes rádios e faz a gente assobiar sem culpa. Daqui a algum tempo, pode escrever, você vai cantar “Sou super-humano, sou, sou, sou” na primeira vez que ouvir essa canção. Foi o que aconteceu ontem com crianças, moleques, senhorinhas, madames de salto alto e poodle e outros tipos que perambulavam pelo domingo pseudo-ensolarado dessa metrópole que, naquele momento, não era mais triste.

“Eles são famosos?”, perguntava uma menina atrás de mim. Ainda não, querida. A Homem do Brasil está com CD no forno produzido pelo Rick Bonadio. E eu passei o show inteiro me perguntando porque é que ele ainda não soltou logo o álbum desses caras!

www.homemdobrasil.com.br

Friday, November 10, 2006

Pechinchas da Augusta


Não é nada disso que vocês estão pensando, seus mentes sujas! Mas passeando pelo lado central de uma das ruas mais queridas do país, olha só o que você encontra nas lojinhas de CDs e outras quinquilharias, em um relance:

Por R$ 2: você leva o CD do Marcelo Bonfá, "O Barco Além do Sol"
Por R$ 3: a fita K7 (sim! original) do Erasure, “Crackers”
Por R$ 6: o Compact Disc ao vivo do “Pet Sounds” (Beach Boys), por Brian Wilson
Por R$ 10: o DVD “Best of Ringo Starr and His All Star Band”

Compare os preços. Eu achei alguns deles injustos, e vocês?

A brincadeira é pra fechar a semana. Na verdade, eu fiquei sem fôlego depois de ler o texto “Bizz X Rolling Stone” em um dos blogs brasileiros mais legais, de um dos caras que eu mais admiro no ramo. Vai lá:
revoluttion.blig.ig.com.br

Thursday, November 09, 2006

No pussy blues


Nick Cave, Sementes ruins e riffs raivosos

Aê, Credencial Tosca deu uma derrapada ontem com a chuva paulistana e volta hoje em pílulas:

A Lenda Viva vive. Se você é da geração que tem preguiça de alugar o DVD do Mágico de Oz e colocar o CD do Dark Side of the Moon pra tocar junto, parece que alguém também da sua geração já deixou tudo pronto pra ser visto via internet. A dica do link é do designer Wilbour Mônaco, conhecido aqui da nossa casa. Ainda não pintei por lá, vê aí e conta pra gente depois, ok?

http://video.google.com/videoplay?docid=-4935715412555856092&sourceid=docidfeed&hl=undefined

Nick Cave e alguns Bad Seeds estão de volta. De acordo com o NME, ele lança novo álbum no próximo ano ao lado de velhos de guerra, mas sob o pseudônimo de Grinderman. Uma das músicas, "No Pussy Blues" já pode ser ouvida no MySpace e me pareceu Andreas Kisser em uma discussão de boteco com o Trent Raznor. Se Nine Inch Nails não é o bastante pra você, ouça.

Tuesday, November 07, 2006

Turn it on again


Esse é o nome da turnê do Gênesis, ressuscitado oficialmente hoje em uma coletiva de imprensa em Londres depois de 15 anos quea formação com Tony Banks, Phil Collins e Mike Rutherford foi pro túmulo. Os caras resolveram caçar alguns níqueis pela Europa e, depois de algum frisson previamente anunciado no site da banda, oficializou-se hoje uma turnê com 20 shows já agendados para o ano que vem.

Quem decidiu aproveitar a onda foi a EMI, gravadora deles, que vai relançar 14 álbuns do grupo durante 2007. Em março, serão A Trick Of The Tail (1976), Wind & Wuthering (1977), …And Then There Were Three…(1978), Duke (1980) e Abacab (1981) . Em julho, Genesis (1983), Invisible Touch (1986), We Can't Dance (1991) e Calling All Stations (1997). E no fim do ano, virão Trespass (1970), Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972 ), Selling England By The Pound (1973) e The Lamb Lies Down On Broadway(1974) .

Peter Gabriel? Queeeeem? Não, esse não vem no pacote revival.

Monday, November 06, 2006

De castigo com a loira


Nem me adianta olhar com essa cara...
Já que meu e-mail (enemyblog@yahoo.com.br) anda vaziozinho, sem nenhuma rock art nem sugestão de pauta nem um nada nem ninguém, eu deixo vocês de castigo com... a Gwen Stefani.
O sonho da vida da moça loira de barriga tanquinho era ganhar um barrigão, que nasceu em maio, fruto do love-angel-music-baby dela com o Gavin Rossdale, corpo-pecado e ex-vocalista daquela banda Bush. Agora ela volta à ativa para o lançamento de seu segundo álbum solo, “The Sweet Scape”, que chega aos nossos ouvidos no comecinho de dezembro. Pensa que acabou? Nãããão! Tem ainda o DVD “Harajuku Lovers Live”, da última turnê.

Enquanto isso, as coleguinhas também lançam singles: Madonna chega com “Jump” e Chris Aguillera, com “Hurt”.

Friday, November 03, 2006

Do you want a revolution?


O documentário “Os EUA contra John Lennon” abriu (oficialmente) e fechou (não-oficialmente, já que a última sessão foi ontem à noite) a 30ª Mostra Internacional de Cinema de Sampa como que dizendo que recordar é preciso, pois só assim dá pra viver (mal aê pela paródia, “Seu” Pessoa). O vídeo reaviva a memória daqueles que foram testemunha dos anos 70 e revela aos mais novos como o beatle posicionou-se efetivamente como uma figura política importante em toda a questão da Guerra do Vietnã naquele que, na época, era o país mais importante do mundo em vários sentidos.

“Os EUA” refaz a trajetória artística e filosófica de Lennon, o que inclui justificar a presença de Yoko na vida do cara e sua importância para que John se posicionasse definitivamente mais como líder político do que como mocinho famoso. Trechos de coletivas e exclusivas mostram um pensador mordaz, rápido no gatilho, que acabava com a raça dos jornalistas que tentavam ridicularizar seus pensamentos e atitudes. E Lennon só conseguia essa façanha porque tinha (bons) argumentos.

Com depoimentos de ativistas, músicos, fotógrafos e até de representantes do governo Nixon, responsável por enfiar o FBI na parada e tentar por mais de quatro anos deportar o músico e sua esposa dos EUA, o documentário dá uma dimensão do poder de um mito. Os paralelos entre Vietnã-Nixon e Iraque-Bush são inevitáveis e fica o gostinho de tentar imaginar quem do cenário pop teria, atualmente, o poder de Lennon pra mudar alguma coisa.

Vários músicos já se embrenharam na façanha de lutar contra o governo Bush, como Neil Young, Eddie Vedder e Dave Matthews. Mesmo com influência grandiosa na América, talvez a soma dessas forças não tenha sido suficiente pra mudar alguma coisa. O pacifismo mundial pregado por Bono Vox pode se aproximar um pouco dos ideais setentistas de Lennon, e a figura de Bono talvez também seja a de maior alcance mítico e de massa hoje em dia, mas algumas coisas já mudaram e amenizaram esse poder.

A primeira delas é que até um presidente como o nosso amigo Lula já sacou a importância de aliar sua imagem à do cara e não hesitou em preparar um rango para recebê-lo. A segunda é que os fãs do U2 estão mais preocupados em colecionar seus zilhões de DVDs do que em efetivamente fazer alguma coisa pra ajudar o Camboja, a África ou de qualquer outro canto do planeta. O ativismo é apenas uma parte do espetáculo.

“O Flower Power não deu certo, e aí? Vamos tentar de novo”, pregava John. Acho que ainda precisamos descobrir de que maneira isso pode acontecer. Na época, ele cantava “you say you wanna revolution”. A coisa meio que retrocedeu, e fica a pergunta: “do you want a revolution?”.

São Paulo é São Paulo
O feriado, a chuva e as filas da Mostra atrapalharam a atualização desse espaço virtual. Tudo volta ao normal na segunda feira, ok?